31/10/2011
Neste final de semana, recebi por e-mail uma denúncia sobre o portfólio de uma estudante do 3º ano de uma faculdade de design daqui de São Paulo, que continha em seu flickr um plágio de um projeto nosso. Chateado mas ao mesmo tempo preocupado com esse tipo de ocorrência cada vez mais freqüente, resolvi escrever a ela.
Como achei que a questão pudesse também interessar a outros estudantes, e como a mensagem esclarece questões jurídicas e morais, decidi publicar a carta aqui, omitindo o nome da estudante, da cliente e da faculdade. Segue abaixo o e-mail.
12/07/2011
Independente de sermos a favor ou contra, primeiro temos que destacar uma questão: Concursos de marcas promovidos por empresas são diferentes de concursos de marcas promovidos pelo governo, onde o dinheiro é público e o processo pede-se que seja mais aberto e democrático (mas obviamente não menos problemático).
Quando tratamos de concursos promovidos por empresas, podemos perceber uma lógica PERVERSA e ao mesmo tempo BURRA.
PERVERSA, pois parte do pressuposto de que a empresa pode (sem custos) mobilizar uma quantidade grande de profissionais e propostas, remunerando apenas a que considerar (sem nenhum critério objetivo de avaliação) a “melhor” ideia. Obviamente o que impera aqui é o desejo egoísta de ganhar mais sem necessariamente pagar mais por isso. Pelo menos essa é a ideia.
BURRA, pois na verdade ela dificilmente obtém realmente mais por menos.
Eu explico:
1) Empresas sérias de design, e que possuem trabalhos de qualidade já não participam mais desse tipo de concurso. Ou seja, os melhores projetos e profissionais não compartilharão seus conhecimentos e resultados neste processo.
2) Empresas de design que fazem realmente bons projetos, provavelmente estarão ocupadas demais com a demanda dos seus clientes e não verão vantagem de participar de um concurso deste tipo. Afinal, vale mais a pena trabalhar para os contratos fechados do que se aventurar na incerteza.
3) Quando efetivamente participam destes concursos, dificilmente uma empresa de design alocará uma quantidade grande de recursos. Afinal, os riscos são grandes. Provavelmente colocará um ou dois estagiários no projeto e não dedicará o tempo necessário para se pesquisar o problema e chegar efetivamente a um resultado forte, diferenciador e duradouro. Não há portanto comprometimento com a qualidade.
Ou Seja, no final a empresa obtém uma relativa quantidade de trabalhos inferiores, por um valor em média 20% ou 30% maior do que o necessário para se contratar um bom profissional ou escritório. Vale lembrar que para atrair algum participante os valores pagos nos prêmios devem ser maiores que o praticado no mercado para compensar o risco. Caso contrário o concurso só atrairá profissionais desocupados, amadores ou iniciantes.
Outro problema é a lógica da avaliação, onde os trabalhos apresentados estarão mais comprometidos com a aprovação do cliente, do que efetivamente com suas necessidades estratégicas.
Não é a toa que muitas das agências, escritórios e estúdios que participam destes concursos não são efetivamente especializadas no design de identidade de marca, pois seu objetivo com a participação não é fazer um bom projeto, e sim captar o cliente para depois vender para ele outros projetos, seja de comunicação, design gráfico, web ou publicidade.
Há portanto um conflito de interesse.
Porém uma empresa pode sim desenvolver um concurso de forma correta, ética e eficaz. Basta para tanto:
1) Convidar apenas bons escritórios em um concurso fechado
2) Remunerar TODOS os escritórios e profissionais durante o processo para o desenvolvimento das pesquisas e estudos qualificados.
3) Definir critérios claros e objetivos para a seleção do vencedor.
4) Contratar e remunerar um corpo técnico qualificado para avaliar as propostas.
5) Premiar o vencedor com um valor maior do que o praticado no mercado.
O resultado deste concurso será objetivamente um envolvimento maior de escritórios profissionais, com uma avaliação técnica mais assertiva da escolha final, mas é claro, custos de 3 a 4 vezes maiores do que os necessários para se contratar um bom escritório profissional de marcas.
Então pergunto não sob o ponto de vista dos designers, mas do ponto de vista das empresas: Será que vale mesmo a pena?
06/04/2011
no livro “Faça você uma marca” do Petit, ele cita que diversas vezes acabou fazendo um trabalho de graça, seja para instituições beneficentes, amigos, etc. A Sebastiany chegou a fazer algo do tipo? E o que você acha dessa atitude?
Sim, já fizemos muitos! Para Amigos e também para ONGs…. e nos arrependemos 4 em cada 5 vezes que isso ocorreu!
Quanto a questão do que achamos desta atitude, é importante sempre analisar o momento e o projeto em particular para poder definir se vale ou não a pena se envolver no projeto. Alguns valeram a pena, outros não.
Mas atualmente, não vemos mais como possível a realização de projetos, como o de ONGs por exemplo, sem cobrarmos. Eu explico, pois existem três motivos:
14/09/2010
Confira no link abaixo a entrevista com Guilherme Sebastiany no site Design Informa:
http://designinforma.blogspot.com/2010/09/papo-da-vez-guilherme-sebastiany.html
01/09/2010

Entre nós designers, é comum encontrarmos aqueles que adoram citar regras de criação. Principalmente quando o assunto é o desenho de um símbolo ou logotipo para uma marca. Mas curiosamente os mesmos designers que vejo ditando regras ou normas são muitas vezes os primeiros a reclamar da tal “falta de liberdade criativa” usualmente por “culpa do cliente”… Segundo eles.
É estranho e incoerente esta posição de quem impõem regras aos outros, mas não aceita limites quando lhe são apresentados. Parece ser sempre uma disputa de poder entre aquele que “sabe mais” e aquele que “manda mais” no projeto, como se a liberdade para criar estivesse relacionada à posse, àquele que verdadeiramente é o “dono na marca”: o criador ou o contratante.
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