28/10/2010

Dando início à nossa série de entrevistas com a equipe da Sebastiany, hoje temos Akira Goto falando sobre design, branding e claro, contando um pouco de sua história no escritório.
O que você fazia antes de entrar na Sebastiany Design?
Eu era técnico eletrônico.
Como você começou na Sebastiany?
Posso dizer que comecei na Sebastiany Design por questão de oportunidade, escolhas e planejamento dentro do que almejava para o ínicio da maioria das carreiras, um estágio. Na época exercia a profissão de técnico em manutenção de copiadoras, um bom emprego com um salário razoável. Porém estava em um curso superior em design, que foi um curso no qual entrei por um mero acaso, mas isso é outra história…voltando, não via sentido em começar uma faculdade de 4 anos para concluir e dizer que não tinha experimentado o mercado de trabalho. Então planejei que estagiaria em meu 3º ano da faculdade, ou seja, abandonar onde trabalhava para entrar em um lugar que provavelmente não ganharia o suficiente para pagar a faculdade (é…, eu pagava a minha faculdade!) mas onde aprendesse muito e ganhasse experiência. Nesse sentido obtive uma oportunidade dentro da Sebastiany Design por meio da Camila Vieira que, sabendo de minha determinação para um estágio, me indicou a vaga. O estágio era de 6 meses de duração, a princípio. Fui para entrevista sem saber porra nenhuma de software mas mostrando minha vontade de aprender. Mais tarde, soube que eu era a segunda opção para a vaga, pois por uma questão de prioridades a primeira opção não podia estagiar, foi assim que entrei e estou lá até os dias de hoje, agora como um dos diretores e coordenadores de projetos.
Como foi para você o processo de seleção e entrevista? Como você se sentiu?
Me senti desconfortável, confesso. Pois sempre tive uma visão meio afrescalhada demais sobre a área de design, sabe aquela coisa “não me toques!”… E nunca me esquecerei da pergunta que fizeram para mim, “você sabe o que é powerclip?” e eu não sabia responder e meu pensamento foi “me ferrei!”, já tinha desencanado da vaga. Quando perdi as esperanças, fui chamado!
Quais as vantagens e desvantagens que você sente no dia a dia por não ter tido experiências em outros escritórios de design?
Não ter referências nos permite fazer algo fora de paradigmas adotados por outros escritórios. Porém nos dá margem para fazer coisas que já são praticados e nós não estamos cientes, pois não vivenciamos o dia-a-dia dessas empresas.
Dentro da gestão e criação de marcas qual a atividade você mais se identifica ou mais tem se identificado?
Criação de símbolos, aperfeiçoamento técnico e produção gráfica.
Quais marcas fazem parte do seu dia-a-dia?
Sony, Santa Helena, Microsoft, Concha y Toro, Chillibeans, Namco, Adidas, Boticario, Allstar, Head, CPTM, Yamaha, Riffel, LS2, YPD, Syberian, Fatto a Mano, Kingston, CASA Claudia, Lupo, Medley, Sandler, Lg, Samsung, Embratel, Telefonica, D-link, Linksys, Azuma Kirin, Osram, Tok&Stok, Abril, Hering, Taschibra, Eucatex, Comfee, Sebastiany, McDonalds, Wall-E, Corel, BrOffice, Dot Project, Pial, Claro, Tim, Siemens, Intel, Asus, Google, Intenet Explorer, Firefox, Apple, Pado, Havaianas, Democrata, Sabesp, Eletropaulo, CET, Tng, Epson, Yasmin Rockport, Visa, Master, Adobe, Gilette, Colgate, Listerine, Mallory, Nissin, Stabilo, Bic, Piloto, Deca, Ype, Neve, Gleid, Raid, Chamex, Report Suzano, Kalunga, …
Como as marcas que te rodeiam afetam o seu dia-a-dia?
Afetam em quase todas as partes da pirâmide de Maslow desde a base Deca+Neve+Gleid, Sabesp+Deca, Sabesp+Nissin, etc até o topo Sebastiany Branding.
Se você fosse uma marca, que marca seria e por que?
Pirassununga: brasileiro, pode ser exportado, sozinho é forte, mas em conjunto de outros ingredientes pode gerar misturas que melhoram os resultados.
Na sua opinião, qual a importância do Branding para os administradores de empresa?
Antigamente as “pessoas empreendedoras” tinham a seguinte visão: “-Vou abrir um negócio mas, se não der resultados volto a fazer o que fazia antes.” Hoje, as pessoas não podem se dar ao “luxo” de empreender aleatoriamente, correndo um risco muito alto das coisas darem errado. Não devemos “esperar” resultados de uma empresa, e sim visar uma “geração” de resultados. Neste sentido, o branding (pensando como ativo do empreendimento) ajuda empresas, não somente as consolidadas, como as que estão iniciando, a obterem êxito na solidificação da marca e sua imagem frente a seu público, frente a seus concorrentes ou fornecedores.
Por que é importante trabalhar a marca para o público interno?
É como um vendedor que não acredita no produto que vende, ou um operário que não sabe porque está cumprindo determinada função. O que quero dizer é: hoje, trabalhar a marca também para o público interno faz com que se crie um elo forte entre empresa e pessoas.
Quais foram os maiores desafios e obstáculos que você teve que superar para ir de estagiário a sócio do escritório?
O primeiro deles foi o preconceito, principalmente vindo de uma família tradicional japonesa, ou seja, receberia apoio e incentivo caso estudasse medicina ou engenharia (estereótipos de profissões orientais). O que eu já ouvi de: “Isso dá dinheiro?!” e “Ele desenha o dia todo?!”, não é brincadeira. O segundo foi o obstáculo da distância, o Guilherme que me perdoe, mas o escritório era muito longe! Aproximadamente duas horas pra ir de casa ao trabalho, na volta mais 2 para chegar faculdade e por fim os últimos 30 minutos para voltar pra casa. Pontualidade nas aulas na Faculdade não era meu forte, devo confessar. E a parte financeira foi um grande desafio, na faculdade, pela primeira vez vi minha conta ficar vermelha. Com persistência, paciência e dedicação consegui superar todos esses obstáculos e construí meu espaço dentro do escritório.
Você está há um bom tempo na Sebastiany, deve ter passado por diversas situações interessantes. Tem alguma que gostaria de compartilhar pelo seu caráter curioso/divertido/desafiador?
Experiência divertida hoje, mas horrível na época, foi quando eu pedi meu primeiro orçamento para gráfica offset, quando ainda era estagiário. O que eu sabia de produção gráfica eram seus princípios, cores, suporte, tipos de impressão, etc, mas como transformar tudo isso em um orçamento? Para mim era impressão colorida ou PB e sulfite A4, ou A3 no máximo! E para fechar meu primeiro orçamento foram necessários precisamente 5 telefonemas, 1 para dizer qual era o formato, 1 para dizer quantas cores eram, 1 para dizer o tipo do papel, 1 para dizer a gramatura e a última era para dizer a tiragem! Acredito que a atendente pensou ser um trote, pois o orçamento nunca chegou…
Quais são as disciplinas que você considera indispensáveis em um curso de Design? Por quê?
Para mim, todas as disciplinas são indispensáveis, mas acredito que falta uma disciplina que faça uma abordagem, mesmo que uma visão geral, sobre gestão de projetos, pegando como exemplos os próprios projetos dos alunos. Porque no mercado de trabalho, você nunca terá um único projeto para gerir no semestre inteiro.
Uma marca é criada ou desenvolvida?
Uma marca pode ser criada e pode ser desenvolvida, em ambos os casos dependerá do perfil de profissional que o potencial cliente deseja ou necessite. Acredito que existe espaço para ambos.
Julgando o livro pela capa, como já diz o velho ditado, posso pressupor que na Sebastiany existe uma grande variedade de estilos de vida e até mesmo de experiências. Qual a importância de uma equipe com tais variedades na hora de agregar valor a qualidade dos trabalhos? (pergunta do Gustavo Tampa)
A importância está exatamente no termo da própria pergunta, “EQUIPE”. Se estivéssemos nos referindo a um “GRUPO”, as habilidades se dividiriam, pois não existe objetivo ou foco no trabalho comum, apenas anseios e resultados individuais. Agora, quando falamos de “EQUIPE”, onde o objetivo de cada integrante é agregar valor a qualidade dos trabalhos um dos outros, as habilidades, vivências, histórias e repertórios se somam em um único canal chamado resultado.
Qual seu projeto favorito desenvolvido pela Sebastiany?
Panda Stock, marca de revistaria que fica no Shopping Jardim Sul, pois foi o primeiro projeto em que estive desde seu início e acompanhei sendo aplicado.
Quais outros escritórios você admira?
Landor Associates, Colletivo e Lipincott.
Além do design, quais assuntos te interessam e fazem você buscar conhecimento?
Games, artes marciais e desenhos.
Gostaram? Sexta-feira que vem tem mais, com Karina Campanha.
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Como assim família tradicional Japones? Que eu saiba vcs servem feijoada e não sushi nos aniversários.
Mas falando sério, parabéns pelo sucesso meu irmão. O “CEO” passou por muitos perrengues pra chegar onde chegou e merece cada cm (ou pixel) do reconhecimento pelo seu trabalho.
um grande abraço