13/01/2010
Nas duas edições anteriores abordamos o processo de registro de marcas nominativas junto ao INPI (ver edição 5) e os mitos e armadilhas do processo criativo de nomes para casas de alimentação (ver edição 6). Agora, abordaremos um pouco do processo de criação de nomes e de como obter sucesso nesta empreitada. Por mais que eu deseje, este artigo não será capaz de esgotar o assunto, ainda assim, acredito que poderá orienta-lo em algumas etapas, dicas e procedimentos que lhe ajudarão neste difícil processo que é a criação de um bom nome para um bar, restaurante, cafeteria e outras casas de alimentação.
Novamente voltamos a pergunta do artigo anterior: O que é um bom nome?
Um nome não é bom ou ruim isoladamente. É somente no contexto da empresa, seu segmento e público e da própria personalidade do estabelecimento que poderemos avaliar a sua qualidade. O que é um bom nome para um restaurante, pode ser uma péssima solução para outro. Lembre-se que o gosto pessoal não deve ser o critério de escolha e sim a adequabilidade. Por isso mesmo uma boa dose de criatividade e ousadia podem ajudar a criar nomes originais, memoráveis, interessantes e atraentes.
O universo do food service está cheio de nomes únicos e memoráveis, alguns inovadores, outros conservadores. O que realmente importa, é que no contexto onde são usados não apenas fazem sentido, como também instigam a curiosidade dos clientes. Nomes como os dos restaurantes Sujinho, Velhão, Dom, Mestiço, Nakombi são alguns dos meus preferidos justamente pela adequação à personalidade do ambiente. Não sei como surgiram, mas sei que provavelmente seriam inicialmente reprovados em uma pesquisa de opinião, o que apenas endossa a minha teoria de que pedir a opinião dos outros é o melhor caminho para um nome comum, banal e sem personalidade.
1) ORGANIZE O TRABALHO
Já falei nos artigos anteriores (mas não custa repetir) que este processo não é uma tarefa fácil, nem rápida. Portanto ao se enveredar por este desafio esteja preparado para um exercício que exigirá foco e dedicação, até mesmo porque é um exercício de frustração, onde acumulamos muitos e sucessivos “fracassos” antes de encontrar o sucesso na solução final.
Comece organizando seu material de trabalho, pode ser um conjunto de folhas soltas ou um caderno, afinal, está é uma tarefa na qual se escreve bastante. Anote todas as idéias, boas ou ruins, sérias ou esdrúxulas, nunca se sabe quando as mesmas o ajudarão a ter um novo insight criativo. Provavelmente todas os primeiros nomes das primeiras horas de trabalho serão descartadas, ou por serem muito comuns, ou por serem idéias que outros já tiveram. Portanto precisamos ir além, e lembrar que este não é um desafio que termina em algumas horas, e sim em alguns dias de trabalho.
2) TIPOS DE NOMES
Os nomes podem ser organizados em diferentes grupos e subgrupos. Existem nomes de lugares, como o da rede de fast food SPOLETO que é uma cidade italiana. Mas evite usar o nome da rua, bairro ou cidade onde o estabelecimento surgiu pois poderá atrapalhar os seus planos futuros de expansão para outras localidades. É o que está acontecendo hoje com a rede SÃO PAULO I, que para entrar no mercado Carioca e nos estados do Sul está mudando seu nome para Divino Fogão.
Existem nomes Patronímicos, de pessoas, como do BAR BONIFÁCIO ou da rede de padarias LETÍCIA. Registrar marcas nominativas com nomes de pessoas no INPI nem sempre é possível, mas é uma forma de tomar emprestado a personalidade associada culturalmente ao nome. Bonifácio soa tradicional e bonachão, Letícia soa delicada, e assim por diante.
Nomes podem surgir também de palavras existentes, na nossa ou em outras línguas, como no PITADELA delivery, bar ESQUISITO e restaurante SPOT (lugar em inglês). Mas também podem ser criados a partir da alteração de palavras existentes, como no restaurante ZUCCO (que é uma alteração da palavra zucca: abóbora em italiano) ou serem inteiramente inventados, como no restaurante SKAPINO. Aqui vale uma observação. Vejo muitos empresários no segmento de food service demasiadamente preocupados com o significado dos nomes, sua origem, simbolismo e sentido, sem perceber no entanto, que o mais importante não é o significado, mas sim o significante, ou seja, como o mesmo será interpretado pelo público e que percepção esse criará. Lembre-se que em poucos momentos você terá a oportunidade de explicar o verdadeiro significado por trás do nome, e que portanto a primeira impressão é muito mais importante.
Evite ao máximo nomes descritivos comuns como, Empório dos Sabores, Armazém do Aroma, Cantinho do Paladar etc… Primeiro, porque existem inúmeros outros restaurantes com nomes iguais e similares, o que impede o registro com exclusividade no INPI (ver artigo da Edição 5), e segundo, justamente por serem combinações comuns, tendem a ser pouco impactantes e a gerar no público uma percepção justamente de algo comum, sem diferencial. Infelizmente, esta categoria de nomes é a primeira que todos pensamos no processo criativo, e por isso mesmo, a pior.
3) COMO COMEÇAR
Inicie o trabalho com a criação de listas de palavras chaves que se relacionam à atividade do seu restaurante, ao seu universo gastronômico ou a personalidade do ambiente. Após criar uma lista considerável, amplie a mesma através de sinônimos e palavras similares. Para esta tarefa compre um bom dicionário, dos grandes (infelizmente caros) e famosos, sem ele tudo fica mais demorado. Se possível, um segundo dicionário de sinônimos também é muito útil, bem como dicionários em línguas estrangeiras. Esta etapa isoladamente pode consumir mais de 4 horas de estudo, mas é o alicerce para a criação e quanto mais “matéria prima” você acumular, mais fácil será o trabalho depois. Muitas vezes, o nome pode já estar nesta lista, basta observar.
Após finalizar a lista total, tente mesclar, modificar ou combinar estas palavras. Busque sua tradução em outras línguas apropriadas ao contexto. Adicione prefixos ou sufixos ou troque letras de lugar. Alguns dos melhores nomes que eu e minha equipe criamos para restaurantes surgiram assim. Por exemplo:
APETITOTECA, o restaurante escolar da Ondina Alimentação surgiu do hibridismo entre apetite e biblioteca. O nome do restaurante BAGUNÇOSO surgiu da mistura de bagunça com gostoso. O nome da rede GUAKA, fast food de comida mexicana, surgiu da abreviação de guacamole (prato típico) com um K no lugar do C. Já a cafeteria AROMATO, surgiu de aroma com a adição do prefixo ATO. Soa italiano, mas não é uma palavra existente. Já a rede GOSTIN, de café e pão de queijo, surgiu de uma brincadeira com a sonoridade do jeitinho mineiro de falar o diminutivo de gostinho. A busca da versão de palavras em língua estrangeira também pode ajudar. PANETTO, por exemplo, é pãozinho em italiano.
Tome cuidado durante este processo para não se encantar com nenhum nome em particular. Além da possibilidade do mesmo não estar livre no INPI (o que é decepcionantemente frequente) este encantamento pode fazer você ignorar outro nome tão bom quanto (ou até melhor) que está bem ao lado. Como comentei mais acima, você deve estar preparado para uma sucessão de fracassos neste processo e o sentimento de frustração fará parte de todo o percurso. Acredite, não é muito diferente para mim e minha equipe quando criamos um nome, portanto não desanime.
Lembre-se que você terá que criar no mínimo 200 nomes para selecionar pelo menos umas 5 boas opções, e depois torcer para, com muita sorte, um ou dois deles estarem livres para uso no INPI, o que nem sempre ocorre. Como novos e novos restaurantes abrem as portas todos os dias, está cada vez mais difícil encontrar ou criar um bom nome, ainda mais porque o INPI agrupa restaurantes, bares, cafeterias, padarias, hotéis e motéis em uma única categoria de registro, portanto se prepare para repetir a tarefa algumas vezes.
4) O VALOR DO NOME
Por fim, um nome é um patrimônio. Junto com a identidade visual ele compõe a marca que identifica o seu estabelecimento. Ele pode ajudar ou prejudicar o crescimento do seu negócio. Quanto mais forte, original e fácil de lembrar for a sua marca, maior será a lembrança do público que influenciará suas escolhas (o inverso também é proporcional). Com o tempo, o nome e a marca adquirem valor e podem se tornar em um patrimônio tão importante quanto as instalações e equipamentos que você possui. Hoje, a marca já é aceita como garantia de empréstimos em algumas linhas de financiamento do BNDS (desde que, é claro tenha valor). No futuro, se a decisão for de vender a sua empresa, o seu nome e marca são parte deste patrimônio, pois é a eles que os clientes se identificam, e pode até mesmo ser vendida em separado se necessário.
Lembre que seu nome é provavelmente a parte mais definitiva da sua empresa. Arquitetura, equipamentos, equipe, produtos, decoração, logotipo, ponto, tudo isso pode mudar. Até mesmo os donos. Mas o bom nome fica.
5) DICAS
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prediso achar um nome criativo para neu restaurante
Oi Fabiane, tudo bem!
Mesmo com as dicas deste e dos artigos anteriores, não é fácil encontrar ou criar um bom nome.
Se desejar entre em contato conosco no escritório para discutirmos a possibilidade de um orçamento.
desejo mais dicas de como colocar um novo nome para o meu restaurante
bjus
Um bom empreendedor coloca o nome do seu restaurante de acordo com a sua personalidade e aonde quer chegar.
também estou pensando no nome do nosso restaurante…..dicas
desejo um noma meu restaurante bjussssssss