18/04/2011
Design, identidade e imagem
Em continuação ao tema das edições passadas, no qual já abordamos desde o uso correto de fotos em cardápios (parte 1), até as alternativas de materiais e acabamentos (parte 2), nesta edição, vamos falar das principais dúvidas sobre soluções de design e o impacto do cardápio na imagem do seu restaurante, bar ou cafeteria.
Claro que a função principal de um cardápio é ajudar o seu cliente a escolher a refeição dentre as muitas opções do seu empreendimento. Nada que o leitor não saiba. O que talvez valha a pena alertar é que o seu cardápio comunica ao cliente muito mais que apenas as opções do menu. Mostra também a imagem do seu estabelecimento. Inevitavelmente, o cardápio será sempre parte da vivência do cliente pela marca e um dos primeiros pontos com que ele terá contato ao visitar o seu restaurante pela primeira vez. Portanto, entender o mesmo como parte do design da experiência do seu público é fundamental para otimizar os resultados.
15/04/2011
No artigo da edição passada (DESIGN DE CARDÁPIOS PARTE 1) , escrevi sobre o uso correto e incorreto de fotos em cardápios, mas, infelizmente, não tive a oportunidade de relatar um caso ocorrido comigo e alguns amigos em um restaurante do bairro Higienópolis, em São Paulo. No cardápio, exatamente a situação que descrevi como correta no número anterior: poucas fotos, bem produzidas e atraentes. Uma delas logo me chamou a atenção, entretanto, o que parecia ser uma peça de filé ao molho, ou de mostarda ou de pimenta verde, não estava perfeitamente retratada. Ainda assim, como as “duas” opções me atraíram, virei para o atendente e perguntei qual era aquele prato. Para a minha surpresa, respondeu: “Essa foto está no cardápio só de enfeite”. Depois de ter meu desejo frustrado, obviamente nenhum outro pedido seria tão saboroso quanto aquele da foto.
Nesta edição, vamos continuar com o tema de cardápios, falando um pouco sobre as dúvidas principais a respeito de materiais, opções de impressão e, principalmente, durabilidade.
11/04/2011
Nesta semana respondemos a seguinte pergunta do Formspring, feita pelo Cecílio Júnior
Qual a diferença entre Branding e PIV (Projeto de Idenditade VIsual)? O Branding engloba mais teoria e estratégia e o PIV mais a parte prática visual?
Vamos primeiro separar os conceitos.
Um projeto de PIV é um projeto de construção da IDENTIDADE VISUAL DE MARCA, ou seja, sobre como uma marca visualmente se comunica. Vale lembrar que o PIV não é a única manifestação VISUAL da identidade da marca e que a mesma também se comunica VERBALMENTE.
Um projeto de PIV envolve geralmente elementos como cores, tipografia, padrões visuais e efetivamente uma marca gráfica (símbolo e/ou logotipo)
Um projeto de Branding é um projeto de gestão e construção da IMAGEM da marca, ou seja, da construção de VALOR e REPUTAÇÃO centradas no
BRAND EQUITY (valor financeiro da marca)
SHARE OF MIND (presença no mapa mental de marca do público)
BRAND AWARENESS (conhecimento da marca)
Porém um projeto de Branding pode também envolver o entendimento ou desenvolvimento da IDENTIDADE DA MARCA, mas não estou falando aqui da identidade visual, e sim da definição do DNA de marca, seu propósito, posicionamento e plataforma.
Portanto BRANDING (em um primeiro momento) não tem nada a ver com o desenvolvimento de um projeto de IDENTIDADE VISUAL… porém 2 pontos levam muitas pessoas a misturarem um com o outro.
O primeiro é que muitos dos primeiros conceitos e escritórios de BRANDING surgiram de escritórios especializados em IDENTIDADE VISUAL CORPORATIVA que adentraram questões estratégicas, em um primeiro momento não pela gestão, mas pela definição da IDENTIDADE DE MARCA.
Pela natureza destes escritórios como FUTUREBRAND, LANDOR, WOLF OLINS etc era natural que o projeto de PIV fosse desenvolvido para seguir a identidade da marca, o que nos leva ao segundo motivo desta confusão comum entre PIV e BRANDING:
A imagem da marca é formada através do contato que o público tem com a mesma, seja através do atendimento, publicidade, pontos de venda, produto, boca a boca etc…. e também é claro da identidade visual. Porém esta está presente em quase todos os demais pontos de contato, e portanto toma um papel importante no trabalho de materializar a personalidade e valores da identidade de marca.
O resultado é que muitos projetos de BRANDING hoje acompanham projetos de PIV, causando a confusão atual quando são apresentados.
Já tivemos vários clientes que chegaram ao escritório pedindo por projetos de BRANDING quando na verdade queriam um projeto de identidade visual.
Infelizmente o problema é agravado quando vemos hoje muitos colegas designers usando o tema BRANDING para se referir a projetos de logo… O que é uma pena, pois isso não somente mostra despreparo e banaliza o mercado de branding, como também é a repetição de um comportamento aventureiro (de se fazer o que não se domina e de forma despreparada) que os designers sempre criticaram nos outros, em especial nos “micreiros”.
Não há nada de errado em um designer entrar no mercado de branding… mas o que você diria para um micreiro que quer ser designer? Provavelmente diria: “faça uma faculdade ou pós graduação, apenas ler um ou dois livros não vai resolver”
Eu digo o mesmo… faça uma das muitas pós graduações que existem hoje disponíveis e se torne um profissional de verdade.
Por favor, não seja um “micreiro do branding”
06/04/2011
no livro “Faça você uma marca” do Petit, ele cita que diversas vezes acabou fazendo um trabalho de graça, seja para instituições beneficentes, amigos, etc. A Sebastiany chegou a fazer algo do tipo? E o que você acha dessa atitude?
Sim, já fizemos muitos! Para Amigos e também para ONGs…. e nos arrependemos 4 em cada 5 vezes que isso ocorreu!
Quanto a questão do que achamos desta atitude, é importante sempre analisar o momento e o projeto em particular para poder definir se vale ou não a pena se envolver no projeto. Alguns valeram a pena, outros não.
Mas atualmente, não vemos mais como possível a realização de projetos, como o de ONGs por exemplo, sem cobrarmos. Eu explico, pois existem três motivos:
05/04/2011
Levando em consideração que um dos princípios da atuação do designer é levar em consideração a responsabilidade socio-ambiental nos projetos, de que maneira vocês encaram essa situação do ponto de vista interno (valores na empresa)?
Vamos por partes.
Não acreditamos que a responsabilidade sócio-ambiental seja uma responsabilidade inerente ao designer. Acreditamos que é uma responsabilidade de TODOS, não importa a formação ou graduação.
Tomarmos para nós designers esse papel, é atribuir ao mesmo tempo um papel de soberba e um peso de responsabilidade maior do que caberia a uma única profissão em particular.
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