23/02/2010
No final de janeiro deste ano, abrimos na Sebastiany uma nova vaga para estágio. Algo bom correto? Afinal, é sinal do crescimento do mercado em design e qualquer vaga de estágio, não importa onde, é uma oportunidade para um estudante, seja para aprender fazer um bom projeto, seja para aprender a lidar com um chefe chato. Não importa! Afinal é só um estágio!
Ainda assim é surpreendente o grau de respostas emocionais, positivas e negativas, que uma simples divulgação de vaga, como a que fizemos, pode provocar. Foi a primeira vez que utilizamos o twitter para divulgar uma vaga, e nele a divulgação se multiplicou até literalmente se perder de vista.
Para colocar você no contexto desta história, há 3 anos divulgamos na internet as vagas que abrimos na Sebastiany sempre com o mesmo texto abaixo, mudando apenas a primeira linha quando a vaga é para profissional formado:
- Estar cursando do 6º ao 8º semestre de curso superior em design.
- Ter Inteligência.
- Ter Paciência.
- Possuir habilidade no desenho de símbolos.
- Gostar de desenho de letterings e logotipos.
- Gostar de projetos gráficos.
- Dominar o Corel. (sim é verdade!)
- Saber trabalhar em equipe.
- Que não use o termo “logomarca”.
- Que goste MUITO do desenvolvimento de marcas.
- Que não tenha ego inflado nem complexo de inferioridade.
- Que saiba levar o trabalho a sério.
- Que saiba (ou imagine) que branding e identidade visual NÃO são a mesma coisa.
- Que possa assumir responsabilidades.
- Que possa assumir responsabilidades e cumpri-las.
- Que não acredite em DOM DIVINO.
- Que não tenha medo de errar.
- Que não cometa o mesmo erro duas vezes.
- Que goste de ler.
- Que não use numerologia ou feng-shui no projeto de marcas.
- Que saiba que o mercado de trabalho e academia não são coisas opostas.
- Que tenha bom humor.
- E por fim… que entenda que tudo isso que está acima parece brincadeira, mas que na verdade é algo muito sério.
O objetivo do texto acima é em parte, também entreter, pois isso estimula que outros multipliquem a divulgação da vaga e ajuda na captação de candidatos. Mas se você observar bem, as exigências não são tão grandes e pedimos na verdade o mínimo de habilidades: O período universitário (afinal é uma vaga de estágio); saber desenhar símbolos (é uma vaga em um escritório que desenha marcas); e saber usar o corel (o que convenhamos, dá para aprender sozinho em duas semanas).
Não exigimos sequer experiência na área, coisa comum em todas as vagas que vemos, mesmo quando se trata de um estágio. Todos os demais itens da lista são ou meramente comportamentais (e diga-se de passagem, necessários em qualquer emprego), ou do que a pessoa deve “gostar”… E só queremos trabalhando aqui pessoas que gostem do que fazem.
É exigir muito? Alguns “candidatos” parecem achar que sim, e de alguma forma, ficaram ofendidos pelo que exigimos, tanto que recebemos as seguintes mensagens:
“Vocês fazem milhões de exigências na escolha de estagiário (acho que até esteriotipando) e lidam com a vaga como se fosse um prêmio…”
Em uma outra mensagem:
”FAÇA UM FILHO E CRIE ELE PARA SER COMO VC QUER, IGUAL A UM ROBO!!!!!!!!!
APRENDA A SELECIONAR SEUS CANDIDATOS.”
Basta uma leitura atenta no texto da vaga para perceber que procuramos tudo, menos um “ROBO”. Procuramos sim uma pessoa que saiba discutir e interagir com outros seres humanos. Mas os casos acima não foram os únicos:
“Resumindo… O candidato não deva acreditar em Dom Divino para trabalhar numa empresa que acredita em milagres? È isso? Eu decreto que em nome de Jesus Cristo este será o ano que você realmente conhecerá a cristo e terá uma esperiencia sobrenatural com ele! Antes de virar esse ano você entregará seus caminhos a ele!
Boa sorte na sua seleção e que sua empresa prospere grandemente de acordo com a vontade de Deus!”
Fico feliz em dizer que aqui no escritório já trabalharam pessoas de várias religiões, isso não interfere em nada na vaga. O sentido de que “não acredite em dom divino” diz respeito somente a uma crença fundamental que temos no escritório: de que o resultado de cada projeto é fruto do trabalho, esforço e dedicação da equipe. Afinal, somos responsáveis também pelos fracassos e projetos reprovados, e culpar a Deus pela falta de inspiração, me parece uma tremenda sacanagem.
Bom… Para os que ficaram ofendidos com a vaga, peço sinceras desculpas, pois não foi em nenhum momento a nossa intenção.
Porém! Como já fui professor de Graduação, me dou também o direito de “puxar a orelha” de quem ainda é estudante, pois o problema central é que não foram capazes de atender um pré-requisito mínimo da vaga, obviamente não explicitado nos seus itens: A capacidade de ler e interpretar o texto corretamente. Isso é preocupante, afinal, tratam-se de universitários.
Será que cada vez mais nós designers além de não sabermos escrever estamos perdendo a capacidade até de ler? Conhecemos as palavras, mas não conseguimos interpretar e entender de verdade o que um texto diz? (veja também http://www.nataliailyin.net/blog.htm?post=659074)
Mas os problemas não pararam por aí. Alguns dos currículos chegaram sem nome, ou sem os dados de contato e mensagens de e-mail que os acompanhava continha textos com a “grafia abreviada” típica de internet. No universo dos instant messengers ou mesmo no Twitter, não é um problema. Eu mesmo utilizo abreviações quando escrevo nestes meios. Mas ao se candidatar para uma vaga, é no mínimo, arriscado. Claro que na área de design temos ainda essa imagem “descolada”. Mas você nunca sabe quem vai ler e avaliar o seu currículo, portanto mais cuidado. Embora a maioria das faculdades não ensinem como elaborar e enviar um currículo (nem deveriam) existem muitos livros, revistas e sites que tratam do assunto, informação na própria internet não falta.
Existe um problema fundamental por trás disso tudo. A baixa qualidade das faculdades e dos alunos em cursos cada vez mais numerosos de graduação em design, o que somada a baixa oferta de estágios, cria uma demanda muito grande por cada vaga. É essa demanda que cria a percepção de que a vaga é um “premio” o que obviamente não deveria ser.
Isso é especialmente ruim, pois torna uma coisa que deveria ser simples como um estágio em “a oportunidade de uma vida”, e como poucas vagas se enquadram no perfil do aluno, isso gera claro um sentimento de frustração. Isso não significa que não existam vagas para ele, mas que esta em particular não se enquadra no seu perfil. Deveria ser algo normal. A reação que recebemos é justamente uma coletânea de agressões ao perfil exigido pela vaga, como se ela fosse utópica, irreal e portanto frustrante.
O que falta dizer, é que o outro lado também existe. Várias pessoas bacanas (mesmo de outros estados) se identificaram muito com a vaga justamente porque perceberam que ela se encaixa com o seu perfil e a sua visão da profissão, o que foi ótimo. Algumas se entusiasmaram até demais, o que nos deixa vaidosos por um lado, mas também com uma tremenda responsabilidade de lidar com altas expectativas, por outro.
adobe ambientação arquitetura Branding carreira comunicação corel criação crise delivery desenho design designer dicas diferenciação embalagem estágio foco gráfico identidade INPI investimento logomarcas logos logotipo logotipos marca marca fantasia marcas marketing Naming nome nome empresarial nomes nominativa processo criativo profissão prática profissional pérolas registro restaurante Restaurantes slogan terminologia vaga
Copyright ©2009 Sebastiany - Branding e Design Estratégico de Marcas
Blog Desenvolvido por Carranca Design
Sou soteropolitano, estudo design e sigo o twitter sa Sebastiany a algum tempo e acho muito inteligente a maneira com a qual são gerenciadas as suas redes sociais, Parabéns! Quanto à texto, é triste saber que muita gente ainda se sinta ofendido ao ler simples pré-requisitos como estes para uma vaga de estágio. Alguém muito querer contratar alguém competente e, que talvez, possa vir a ser um futuro profissional da equipe que ele integrará? Como o próprio guilherme diz, Eu sou de outro estado e me encaixaria perfeitamente nas “exigências” mas infelizmente não posso (podemos dizer assim) concorrer a ela!
Lendo esse texto, vendo o mercado de trabalho e os candidatos as vagas é possível agora entender muito bem o que acontece, a um tempo já venho percebendo uma certa “vulgarização” da profissão designer, qualquer pessoa sem o menor conhecimento se nomeia designer e ainda briga e discute com quem realmente é. Quando esse tipo de pessoa se depara com o texto como o que vocês enviam para divulgação da vaga, logicamente, não iriam compreender os motivos e as brincadeiras (que no fundo tem muita verdade).
Acredito que trabalhar com vocês seja uma experiência maravilhosa e uma oportunidade única, já que são uma empresa com excelência e qualidade. E acho legal ver que muitas pessoas pensam como eu.
Agora de que adiantaria a faculdade ensinar como formatar curriculos se nem ao menos um texto as pessoas (que gostariam de se candidatar), conseguem compreender??
Essa é a diferença… quem compreende ou não.
Boa sorte com a seleção
Meu amigo… Gostei muito do texto de divulgação da vaga. Bem o perfil do estúdio.
Os kras que não gostaram dele devem ser ou estão tentando deixar de ser “sobrinhos” =].
Abraços e sucesso!
O que acho interessantíssimo nessa situação é que gente ignorante não cala a boca.
Parece que eles fazem questão de passar vergonha na frente de todo mundo.
Poxa vida, não gostou do anúncio da vaga (ou não entendeu), NÃO MANDE CURRÍCULO E PRONTO! Precisa agredir?
Entendo, infelizmente, a via crucis que vocês passam durante os processos seletivos, porque passo por isso também.
Se serve de consolo, eu adoraria trabalhar com vocês – pena que não sou da área de design. ;o)
Abraço e boa sorte.
Guilherme, você resumiu tudo isso muito bem quando diz sobre a qualidade do ensino. É sofrível (pelo que conheci e pelo ouço de alguns cursos).
O pra piorar, grande parte dos alunos se limitam ao que lhes é passado na faculdade, não expandindo seus conhecimentos e buscando novas fronteiras.
Portanto, um ensino que não seja de altíssimo nível não é desculpas para estudantes de baixo nível. Minha visão.
Claro, que não defente cursos ruins. Tanto que estou procurando agora por um curso melhor do que fiz.
Parabéns pelo trabalho de vocês, sou fanzaço
Abs
Daniel
Sou estagiária e trabalho exclusivamente com criação de marcas com foco em branding. Me identifiquei muito com a vaga porém, moro no Rio de Janeiro. rs
As pessoas que se manifestaram ofendidas de alguma forma com descrição da vaga, mostram claramente que elas não estão preparadas para o mercado de trabalho ou, pior, possuem um “ego Inflado” ou se acham “donas da verdade”, e isso as impedem ter um olhar analítico coerente sobre um texto símples e bem humorado.
E tanto ódio no coração não nos leva a nada. Eu gosto de críticas, mas não gosto de agressividade.
Recentemente, no meu trabalho, fizemos uma seleção para uma vaga de estágio. Os erros nos currículos se encaixam perfeitamente com o que vc escreveu aqui no blog. Isso me choca pq a toda hora na Tv, nos jornais, blogs e sites de empresas especializadas ensinam a fazer um currículo direitinho e de graça. E é óbvio que erros de português, gírias e abreviações não deveriam aparecer em um currículo! Nem mesmo erro de digitação, afinal de contas vc está “vendendo o seu peixe”.
ok, concorrentes a menos no mercado!
Abraços.
Carla Broquá – Design com estratégia,
estratégia com arte.
Ao meu ver, você não pediu nada demais na descrição.
O que me dá nos nervos é ver vaga de designer que exige dentre outras coisas básicas do cargo, o candidato saber programar html+css, php, javascript, flash, after effects e 3D sendo um PLUS.
Chega a ser inacreditável, até porque não tem como uma pessoa saber isso tudo, ou ela sabe bem um área, ou é mais ou menos em vários áreas.
O que em algumas agências serve né, por isso esse tipo de bizarrice ainda sobrevive. =)
É uma pena que alguns não entendam o humor nas entrelinhas do texto para a vaga. Abraço e sucesso pra quem garantir o estágio.
Para quem acompanhou e participou do processo seletivo , nossos sinceros agradecimentos.
E a vaga foi para:
http://www.flickr.com/photos/sebastiany/4409578778/