11/03/2010
Nas últimas semanas a divulgação de uma vaga de estágio, aqui na Sebastiany, gerou um certo burburinho. Mais do que a vaga em si, um dos pré requisitos ganhou uma atenção especial:
“Precisa saber Corel Draw”
Claro que não precisou muito para o assunto aparecer em fóruns, twitts e blogs. Ora com certa surpresa, ora com certo horror. Não é de se estranhar, afinal, o Corel não é exatamente um software muito “querido” entre designers. Justamente por ser um programa fácil de usar, tornou-se o segundo mais usado entre os tão mal falados “micreiros”. Claro que ninguém atira pedras no Photoshop por ser o primeiro, mas a verdade é que por ser um software mais generalista e menos especializado como as opções da adobe, o Corel certamente não é a melhor opção para um escritório de design gráfico.
Surpreso por concordarmos com isso?
Que bom, pois não vamos entrar aqui na discussão de qual software é melhor para criação, simplesmente pelo fato de que qualquer um que realmente veja no software uma solução para CRIAÇÃO, ao meu ver, é “micreiro”! Não importa se ele tem diploma, ou se usa o Photoshop, o Corel ou o Ilustrator. Software é apenas para finalização. Para a criação, a melhor plataforma ainda é o papel, seja para o projeto de uma marca, de um site, ou mesmo de um folder. Quem já aprendeu a usar o papel sabe do que estou falando.
Nosso objetivo aqui também não é discutir qual software possui melhor desempenho, pois isso é muito relativo. Melhor para o que? Melhor para quem? Nosso único objetivo com esse artigo é tirar as dúvidas das pessoas que nos perguntaram com grande surpresa o porquê desta escolha.
Então vamos lá:
A escolha que fizemos pelo Corel em nenhum momento é uma forma de rejeição ao suíte da adobe. Muito pelo contrário. Se você perguntar a qualquer designer aqui da Sebastiany qual, na opinião dele, qual é o melhor software para quem trabalha com design gráfico? A resposta provavelmente será o trio formado pelo Photoshop, Ilustrator, Indesign.
Para quem trabalha com impressos, livros, revistas, ilustração, embalagens e outras áreas do design gráfico, certamente o Suíte da Adobe é imbatível pela especialidade e foco que cada software oferece, somando também a sua facilidade de integração um com o outro. Para qualquer escritório de Design Gráfico, o suíte da Adobe é a melhor solução para finalização de projetos.
Mas a Sebastiany não é um escritório de design gráfico, e sim de design de marcas.
Há sinergia entre as áreas, claro. Porém, são coisas distintas.
Os produtos específicos do design de marcas são basicamente arquivos vetoriais, desenho de malhas construtivas, manuais de marca (geralmente distribuídos em PDF), Brandbooks (também em PDF) relatórios de arquitetura e posicionamento de marca (em PDF, claro).
É obvio que tudo isso pode ser gerado pelos programas da Adobe, mas existem facilidades que tornaram o Corel uma opção mais interessante para uso na Sebastiany. Os 10 principais motivos são:
“Quando ainda era estudante, cheguei a ouvir de alguns profissionais que a maior vantagem de se usar um computador da Apple com um software da Adobe era justamente que o cliente não conseguia fazer nada por conta própria. Que não apenas ele ficava dependente do seu escritório para fazer tudo o que precisava, como também dos poucos fornecedores (gráficas principalmente) que tinham MACs e que mesmo melhores, eram mais caros. Com isso ele conseguia valores maiores de BV.” Bonito não?
E por fim, um dos pontos finais, utilizamos o corel é por simples rotina e suporte. Começamos com o programa e parar todos os projetos e toda a operação de um escritório de 9 pessoas para trocar de programa, adquirir todas as novas licenças, apenas porque alguns acham que usar Corel “pega mau” e é a “geni” da vez, me parece uma grande bobagem. O que importa no final, é a qualidade do seu trabalho. Que, ou você tem, ou não você tem.
Se nos designers gastássemos a mesma dose de energia para criar, que desperdiçamos falando mal de programas, de fontes, de computadores, ou mais costumeiramente: falando mal um do outro, certamente o resultado seria outro.
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Caro Guilherme,
voce conseguiu expressar em palavras algo que eu sempre pensei… parabens pelo texto, gostaria de pedir permissao para publicar em nosso blog com os devidos créditos e referencias…
abraços
Hg
Pode publicar
Parabéns pelo texto! Sou usuário de Corel há pelo menos 10 anos e concordo com você em tudo que escreveu.
Parabéns pelo texto, Guilherme. Nada como ler isso vindo de um profissional experiente, o que ajuda a desmistificar muita coisa ruim falada sobre o Corel.
Uso muito bem ambos os softwares pra trabalhar com vetor, cada um para um uso específico. E não tenho problemas com nenhum deles. Algumas pessoas esquecem de que não só o programa é o vilão pela má performance, mas tambén o computador utilizado. Como você disse, é preciso deixar de lado esse preconceito bobo e parar de fazer comparações de qual soft é melhor e ao invés disso, concentrar forças na criação. Afinal, é disso que nós designers tiramos nosso ganha-pão e não pelo uso de softwares, que são apenas ferramenta de acabamento.
Parabéns pelo artigo.
Apenas acho que voce não foi corajoso o suficiente para declarar abertamente que acha o Corel melhor que o ilustrator, sob pena de ser ´apedrejado´. Voce foi capaz de enumerar várias caracteristicas do CorelDraw, que mostram sua ´suposta´superioridade em relação ao software da adobe, entre elas a facilidade de aprendizado da ferramenta. Se voce for verificar friamente e de forma não-preconceituasa os 2 softwares sob o ponto de vista da analise heuristica , vai reparar que ele possui mais atributos que cumprem as chamadas metas de usabilidade e que portanto, é uma ferramenta superior ao ilustrator nesse quesito. O fato é que no design ainda há muita idiossincrasias. E algumas atitudes de reserva de mercado. Utilizar um software que um menor numero de pessoas dominam, ou que se parece mais ´cool´, é uma das coisas que infelizmente contaminam a nossa classe. No meu portfolio tenho peças desenvolvidas no ilustrator e no corel. Desafio qualquer um a identificar qual foi feito no corel e qual foi feito no ilustrator. É a velha discussão MAC x PC. O que importa se o lápis é 6B ou 3B se o cara domina a ferramenta? Coisas de designers. Isso me lembra de uma frase importante, da qual não me lembro a autoria. – o computador, jamais terá uma idéia…
Vocês usam corel pelo mesmo motivo que publicam feeds incompletos: porque vivem em 1990. ou não, talvez seja por outro motivo mas não consegui ler, por razões supracitadas…
Oi Jess, tudo bem!
Não estamos em 1990, mas provavelmente em 1997.
É o suficiente em tecnologia para um bom trabalho quando se sabe que a questão principal é a inteligência e não o recurso.
Desculpe pelo Feeds, verificaremos com a empresa de WEB, que fez o blog, o que está errado ou na programação ou mais provavelmente na forma como utilizamos o WP.
Aproveito também para dar o recado aos leitores do blog que se tiverem problemas de leitura com o nosso FEED, podem nos avisar ou mandar dicas. Agradecemos. E neste meio tempo uma alternativa simples é acessar diretamente o blog pela sua home: http://www.sebastiany.blog.br . Afinal, não queremos que vocês se sintam obrigados a comentar os artigos sem a oportunidade de lerem o mesmo antes.
Obrigado
Saudações meus queridos.
Gui, cada vez eu me surpreeendo com a tua capacidade de discorrer sobre os assuntos.
Acho que esse texto pode ser resumido com uma frase que expressa algo que só fui aprender aí. (onde aprendi a ser um designer)
“Não importa qual a ferramenta. O que importa é a qualidade do trabalho.”
Hoje voltei a trabalhar com o suite da Adobe, mas vejo que tudo é uma simples questão de adaptação no trabalho.
Um forte abraço
Já trabalhei com os dois programas e sinceramente não consigo ver como é possível alguém preferir o Corel, já que o Illustrator é muito superior, não em relação a resultado final, já que esse, eu concordo com você, o que fará a diferença será o profissional não a ferramenta. Mas um bom profissional, que conhece as duas opções, porque iria preferir a menos eficiente? Mesmo, apenas para design de marca, o Ilustrator é mais eficaz, os problemas como alinhamento e uso de medidas milimetricamente exatas que você citou foram solucionados na versão CS4 então e também, não acho o Illustrator um programa difícil de aprender, muito pelo contrario, é muito mais fácil aprender a usar o illustrator do que a “lidar” com os “paus” do Corel. A não ser por escolha pura e simples, sem levar em conta as qualidades dos programas, não consigo entender o uso, ainda do Corel, em lugar algum. O trabalho de vocês é excelente, como disse concordo que o resultado final é qualidade profissional e não ferramenta, mas me permito discordar da opinião, apesar de logicamente respeitá-la, que o uso do Corel pode ser mais eficaz em alguns casos.
Explicação simplesmente genial. O blog, assim como o formspring, são muito bons e tenho lido sempre! Parabéns, sou fã do trabalho de vocês.
#RAFAEL – Obrigado!
#GUSTAVO – saudade de você cara!
#PAULO – Acho muito bacana o seu contraponto, principalmente porque você construiu a argumentação a partir da sua experiência, sempre com respeito, coisa que muitos designers infelizmente não tem. Isso é legítimo! Parabéns.
Mesmo com a melhoria em ambos os programas (mais precisão no Ilustrator e menos pau no Corel), neste momento, ainda vejo mais vantagens em manter o Corel. Pode ser que isso mude no futuro. Por que não?
O interessante é justamente extrapolarmos os pré-conceitos que a nossa profissão tende em ainda criar. Talvez mais do que discutir programas, esse seja um dos objetivos principais do artigo.
Abraços
uma vez vi uma “chargezinha” que mostrava p/ que servia o corel, era uma imagem de “salvar como .ai” a galera da agencia onde eu trabalhava concordando e talz e dando risada, mas na hora de fazer um vetor vinham pedir ajuda pro cara que sabia de corel, realmente o corel é muito melhor p/ ajustar espaços de entreletras em fontes padrão e outros alinhamentos, mas como foi dito no seu texto, o que interessa é fazer no papel, se for ruim no papel não adianta socar efeitos p/ disfarçar.
Realmente o que importa é o profissional ser competente com a ferramenta que tem na mão.
Ah, que pena…rs.. Eu nunca poderia trabalhar na Sebastiany…rs.. Eu não sei mexer no Corel..hehe… Continuo fiel ao meu bom e velho Freehand…rs…
Pois é, independente dos modismos, o que importa é o que o profissional faz com as ferramentas que tem nas mãos.
Muito legal! Eu conheci o CorelDRAW na versão 3, quando era um pirralho.
Ele tem outros detalhes legais, comparados ao Illustrator, como trabalhos com Bezier.
Uso hoje o o trio parada dura e também o Corel. Mas como foi abordado no texto, a diferença na criação é o papel. Não trava, não dá problemas e nos economiza o maior tempo.
Abração Guilherme, a Sebastiany é um ótimo referencial.
Tenho o Corel e o Illustrator instalados. Uso Corel desde a versão 4. Comecei a treinar no Illustrator. Mas o que consigo fazer com qualdiade em 15 minutos no Corel, levo 1h ou até mais no Illustrator por pura falta de intimidade com o software (mesmo eu sendo usuário avançado do Photoshop).
Ou seja, por que matar minha cabeça pra aprender algo se posso fazer a mesma coisa melhor e mais rápido em algo que já conheço?
Olá,
Estou conhecendo o trabalho da Sebastiany hoje e gostei muito.
Não pude deixar de notar essa nota sobre o Corel e por isso fiquei tentado a comentar tb.
Eu sou ilustrador, mas fiz muito design tb e por isso acabei trabalhando com os 3 programas vetoriais q já tivemos.
Concordo em numero, genero e grau com o q o Guilherme falou, principalmente na questão dos fornecedores. Eles ainda são muito adeptos da corel e por isso facilita realmente a vida.
Eu nunca curti o corel e tb não curto o ilustrator, acho ele um corel melhorado mas é igulamente ingessado.
O programa mais leve e mais preciso é com certeza o Freehand. Até hoje a maior parte do meu trabalho vetorial é feito nele. É uma pena q a adobe pendurou as chuteiras dele. Ele é fantástico, com uma interface super limpa, além de linkar imagens para diagramações.
Ainda bem q os sistemas operacionais ainda o suportam, assim as pessoas q o conheceram ainda podem trabalhar com um programa no mínimo confortável.
Abraço a todos
O comentário da Déia sobre este tema ficou tão bom e grande, que preferimos publicar como artigo:
http://www.sebastiany.blog.br/index.php/entendeu-ou-quer-que-eu-desenhe/
Olá Guilherme, sou fã do trabalho de vocês e fiquei feliz de saber que tenho algo em comum com a Sebastiany, uso desde 1992 o Corel e concordo com tudo que disse o que vale é apresentar aos nossos clientes trabalhos profissionais. A melhor ferramenta ainda não tem o que substitua a nossas próprias mãos…
Abraços a todos.
Aqui na empresa onde trabalho, estou ensinando o pessoal pra mudar pro indesign, vai melhorar 100% tudo. Acho que o bom é ensinar o melhor, e nao ficar na zona de conforto.
Sou usuário desde a versao 6, mesmo assim, prefiro mudar.
Estamos neste momento discutindo justamente a necessidade de um IN-DESIGN para os projetos dos cardápios, que estão ficando mais frequentes. Mas seria apenas uma licença para apenas 1 micro.
Isso não muda em nada a nossa opção, pelo menos neste momento, pelo corel frente ao illustrator para a finalização de projetos de marcas.
Se a área de design gráfico (que hoje corresponde a menos de 3% do faturamento do escritório) se ampliar, é provável que o illustrator passe a fazer também parte do conjunto de softwares que utilizamos, mas não em substituição ao corel.
Novamente, o “MELHOR” é relativo a sua necessidade.
Recomendo também a leitura do Artigo da Déia Kulpas sobre o tema aqui no blog:
http://www.sebastiany.blog.br/index.php/entendeu-ou-quer-que-eu-desenhe/
Abraços
Concordo com a questão de intimidade com o software. Eu mesmo meto o pau no Corel em certos erros, mas não deixo de usar, pela simples questão da intimidade. Coisa que não tenho com o Illustrator.
Tenho uma pergunta, já que usam Corel, devem usar PC, correto? Vocês não tem problemas com lentidão, bugs, e todas essas coisas típicas de Windows?
Concordo totalmente. É como sempre digo e volto a dizer: é possível pregar um prego com um martelo, mas também é possível fazer o mesmo com um tijolo. Designers de verdade não são operadores de software, são estrategistas. Programas servem pra finalizar projetos, não podem desenvolver conceitos. Se você sabe fazer uma boa marca, é possível desenvolvê-la até no Paint. E sem dúvida, em todos os casos o cliente não precisa depender de mim pra mais nada, pois quase todos os fornecedores usam Corel.