25/08/2010
Seja em uma conversa entre colegas de profissão, em uma lista de discussão, ou nas comunidades das redes sociais, o tópico “CLIENTE” sempre aparece. Curiosamente as reclamações são sempre as mesmas: Imposição de ideias, cores e formas; dificuldade em fazê-lo entender o processo de trabalho; duras negociações ao tentar cobrar os valores adequados, e a eterna luta para se aprovar um trabalho.
Quando comecei à pensar neste artigo, 7 sete anos atrás, o tópico era justamente este. No entanto neste meio tempo muita coisa mudou. Não sinto mais dificuldade em compartilhar o desenvolvimento do projeto com o cliente, nem em colocar na mesa a metodologia adequada ao seu desenvolvimento. Também já e cada vez mais é mais fácil demonstrar o valor e a importância de um bom Design.
Não quero acreditar que em meio à tantas prospecções estejamos justamente alcançando os melhores clientes. Pessoas abertas ao diálogo e ao entendimento, ou culturalmente dispostas à valorizar o design. Também não desejo supor que está havendo uma valorização tão brusca da profissão, embora alguns avanços já se façam perceber, principalmente nos espaços na mídia especializada empresarial onde o tema é apresentado.
Sem abrir mão dos paradigmas ou premissas de um bom projeto, é possível sim um bom entendimento com nossos clientes. Para isso é preciso primeiro que nós mudemos nossa postura e estejamos abertos à participação (que é diferente de interferência) do cliente em nosso processo criativo, para que então, este nosso novo parceiro de projeto possa também se abrir à nossa participação, expertise e conhecimento. Isso não significa em nenhum momento fazer exatamente o que foi solicitado, nem significa ser orientado pelo cliente, ou abrir mão de nossa autoria. Também não é a velha história de dizer que o cliente tem sempre razão pois é ele que entende de seu negócio. Não é por aí. Isso apenas significa aprender a ouvir e compreender, para ganhar a confiança do seu cliente e para que ele também possa escutar e valorizar o que você tiver a dizer. Além de ser mais fácil o relacionamento, esse diálogo implica em aceitar uma realidade muito simples: que nem sempre o Designer estará 100% certo, e nem sempre o cliente 100% errado. Afinal, quando você aliena o cliente do processo criativo, ele provavelmente o alienará do processo decisório.
A questão principal é entendermos que estamos frente à frente com outro ser humano igual à nós, e antes de estabelecermos uma relação de trabalho precisamos desenvolver uma relação de confiança e de boa comunicação com a pessoa do outro lado da mesa. Se nos aproximarmos cheios de barreiras, escudos ou preconceitos, obviamente o outro também o fará, e todos sairão perdendo. Portanto o primeiro passo é sempre chegarmos de peito e ouvidos abertos.
Inverta a situação. Imagine que você está contratando um arquiteto para projetar o seu escritório. Você simplesmente falaria para ele “Faça o que quiser”? Na hora de cortar o cabelo, você dá total liberdade ao cabeleireiro para ele fazer o que ele bem entender? Talvez se for alguém que você confia, que conhece o seu estilo, e com quem você já trabalhou várias vezes a resposta até seja um SIM. Mas se for alguém novo, que você não conhece, provavelmente a resposta seria NÃO, afinal, a confiança ainda não foi construída e ela precisa de tempo para ser estabelecida. Ou seja, em um momento ou em outro também somos nós os “clientes”.
Se logo de início estivermos mais atentos em compreender as verdadeiras aspirações do cliente nas entrelinhas do briefing, do que em recusar uma ou outra cor ou forma sugerida, poderemos muito mais facilmente atender estas aspirações, solucionando o problema de maneira mais precisa, e assim, ganhar abertura para demonstrar que essa ou qualquer outra imposição inicial não atende realmente o objetivo do projeto dele. Se você for aberto ao cliente, ele será aberto a você, e pode ser o óbvio, mas para um bom design, primeiro é preciso uma boa comunicação.
Claro que sempre encontraremos o eventual “chato”. Mas isso não se restringe a nossa profissão (todas tem os seus) e nem se limita ao universo do cliente. Afinal essa é a vida, e convenhamos: temos chatos na família, entre colegas de trabalho, na faculdade, no cinema e em muitos outros lugares nos quais os encontraremos.
adobe ambientação arquitetura Branding cardápios carreira comunicação corel criação crise desenho design designer dicas diferenciação entrevista estágio flickr gráfico identidade INPI investimento logo logomarcas logos logotipo logotipos marca marca fantasia marcas marketing Naming nome nome empresarial nomes nominativa processo criativo profissão prática profissional registro restaurante Restaurantes sebastiany slogan terminologia
Copyright ©2009 Sebastiany - Branding e Design Estratégico de Marcas
Blog Desenvolvido por Carranca Design
Um belo tapa na cara de “estrelinhas” do design.
Parabéns pelo artigo, mais um conciso e fundamentado na experiência profissional/pessoal.